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Objetivo: Elucidar o conceito de paradoxo da inovação e sua influência em políticas públicas para o aumento de produtividade no Brasil.


Foto: diseñada por rawpixel.com/Freepik


Citados inúmeras vezes pela alta cúpula da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, que integra a estrutura do Ministério da Economia do Brasil, a obra de Xavier Cirera e William F. Maloney, Innovation Paradox, tem se tornado uma das principais referências para orientar o desenho e redesenho de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento econômico ancorado no aumento da produtividade.


Os autores exploram o que chamam de paradoxo da inovação: se o retorno com a adoção de inovações tecnológicas é considerado extremamente alto, por que os países em desenvolvimento investem tão pouco em inovação (tanto em relação ao PIB do país, quanto o investimento médio em P&D se o recorte for por firma)? No caso dos países latino-americanos, a questão se torna mais relevante, pois quando os colocamos na balança, o problema se aprofunda, apesar do vasto retorno potencial para inovação em diversas dimensões dessas economias. Assim, empresas e governos de países em desenvolvimento, como no caso do Brasil, parecem estar deixando para trás oportunidades óbvias de crescimento da produtividade e da competitividade.


Tendo em vista esse paradoxo, os autores buscam explorar 3 barreiras que impedem o fluxo de conhecimento e governança efetivo que permitiriam o aumento da inovação e consequente ganhos de eficiência, qualidade e diversificação. Em primeiro lugar, sublinham que há uma ausência de capacidades nas firmas para empreender inovações relevantes. Em segundo, destacam a falta de complementaridades críticas para que a inovação possa florescer. Por fim, chamam a atenção para as debilidades do governo em gerenciar o aumento da complexidade e amplitude das políticas de inovação no sentido de corrigir as duas falhas anteriores.


Nesse artigo, focaremos na primeira barreira. Pondera-se, inicialmente, que a simplificação neoclássica das firmas como um ator racional com completa compreensão da trajetória necessária para alcançar a fronteira tecnológica não dá conta da realidade do que poderíamos classificar como empresa média de países desenvolvidos. Existe uma série de capacidades básicas que são primordiais para que essas empresas possam efetivamente realizar inovações relevantes. Elas vão desde competências relacionadas à contabilidade, formação de preço, desenho de layout de plantas fabris até conhecimentos básicos para a elaboração de um plano de longo prazo que consiga compreender as necessidades de desenvolvimento de seus recursos humanos e identificação de oportunidades de avanço tecnológico.


Sem essas capacidades mais básicas, dificilmente essas empresas conseguirão compreender qual é a fronteira tecnológica (levando em consideração seu setor, modelo de negócio e contexto geográfico e sociocultural) e qual a trajetória que sua organização terá que percorrer para alcançá-la. Desse modo, o portfólio de ações comumente utilizadas por países desenvolvidos (e replicados por países em desenvolvimento), como créditos fiscais de P&D e investimentos em institutos de pesquisas, não gerarão os retornos esperados. Para tanto, torna-se imperativo que esse público-alvo esteja apto para absorvê-los e gerar externalidades positivas a partir desses incentivos.


Ao apresentarem uma revisão das evidências recentes sobre capacidades empresariais, Cirera e Maloney argumentam que habilidades gerenciais básicas são centrais para a introdução de novos processos, tecnologias e produtos (bem como para o procedimento de patenteamento, por exemplo) e que essas capacidades são insuficientes nos países em desenvolvimento. Tendo esse panorama em mente, sugerem a introdução do que chamam "escada de capacidades", onde as empresas avançariam a partir de capacidades básicas de produção em direção à capacidade de adotar e adaptar tecnologias para, ao final, serem capazes de inventar, modificar e até revolucionar o mercado com a inserção dessa inovação.


Para reforçar esse argumento, recuperam as informações trazidas pelo World Management Survey (WMS), que permitiu um avanço considerável na análise quantitativa das práticas gerenciais e suas implicações para produtividade e para a inovação. Este survey documentou que as empresas dos países em desenvolvimento estão, de fato, atrasadas ​​em uma ampla gama de capacidades que são críticas para a o processo de catching-up.[1]


Ao mirarmos os relatos do milagre do leste asiático, os autores iluminam para o fato que a correção dessas deficiências de capacidade foi uma estratégia comum e crítica para o sucesso no aumento de produtividade e inovação desses países. Cirera e Maloney resgatam Kim (1997), Katz (1987) e Lall (1987) para defender o argumento de que o acúmulo de capacidade tecnológica - capacidade de aprendizagem significativa - foi mais importante do que intervenções setoriais comumente citadas. O desenvolvimento dessas capacidades, no entanto, não é automático e mesmo nesses países foi um processo complexo, com tentativas e erros frequentes, e com muito investimento em treinamento e incentivo da criatividade desde a educação de base. Por isso, os autores concluem que “este processo de aprendizagem econômica - adquirindo a capacidade de absorver, adaptar, difundir, disseminar e melhorar ideias - é sem dúvida uma das principais dinâmicas do processo de desenvolvimento, independentemente da estrutura de produção econômica subjacente”[i].


Entretanto, quais seriam os principais fatores que afetam a qualidade da gestão? Bloome Van Reenen (2007) [ii], a partir do WMS, identificam a concorrência, o capital humano, a estrutura de propriedade, o ambiente de negócios, e o aprendizado com transbordamentos como os principais drivers para alcançar as melhores práticas gerenciais.


É justamente nos aspectos de capital humano e aprendizagem que o Programa Brasil Mais, lançado em fevereiro de 2020, busca atuar, podendo servir como alavanca para impulsionar diretamente a produtividade e preparar o caminho para elevar a ocorrência de inovações mais profundas e disruptivas na realidade brasileira. Incorporando o Programa Brasil Mais Produtivo (doravante B+P), que foi lançado no apagar das luzes do Governo Dilma Roussef), e mantendo o foco nos processos internos das empresas, o Brasil Mais está alinhado com a ideia dos autores de que o aprendizado pela educação formal e pela experiência prática pode gerar grandes melhorias na qualidade gerencial. Por um lado, isso pode ser percebido no movimento de empreendedores com melhor nível educacional tomando o espaço de empresas com métodos mais tradicionais e, por outro, as empresas têm demonstrado tendência a melhorar seu desempenho de mercado ao longo de seu ciclo de vida.


Assim sendo, intervenções de consultoria empresarial podem ter efeitos importantes na gestão da qualidade e aumento da produtividade. "A convergência para a fronteira das capacidades gerenciais não requer apenas concorrência que remova do mercado empresas mal geridas, mas também, e potencialmente mais importante, programas de apoio à difusão e adoção de boas práticas gerenciais"[iii].


É necessário compreender os diversos graus de maturidade das empresas e que cada estágio irá requerer ferramentas de desenvolvimento específicas. No caso brasileiro, que pode ser estendido para toda América Latina, a maior parte dessas firmas está concentrada no que Cicera e Maloney chamam de estágio 1 (ou seja, empresas que carecem das mais básicas capacidades de gestão, em geral, por serem resultado de um empreendimento não planejado, mas primordialmente por necessidade econômica do dono do negócio). Na base da pirâmide proposta pelos autores, as políticas públicas devem ser orientadas para melhoria de práticas administrativas e organizacionais elementares, modernização e melhoria básica de processos.


O contexto no qual as empresas de países em desenvolvimento estão inseridas é de atividades de inovação mais dispersas e menos sistemáticas do que nos países desenvolvidos, assim a inovação tende a ser muito mais incremental por causa da falta de fatores complementares e pela demanda insuficiente por novos bens nesses mercados ou, até mesmo, pela ausência ou insuficiência de arcabouço legal e regulatório para proteger essas inovações. Sendo assim, a política pública deveria garantir que a tecnologia, mesmo mais básica, seja acessível às empresas locais de modo que elas possam absorvê-la, seja essa tecnologia originária de outras regiões de um mesmo país, seja derivada de países avançados. Essa facilitação será crucial para o fortalecimento das capacidades gerenciais que levarão as empresas a estágios superiores de inovação.


Nesse sentido, os autores defendem uma combinação de políticas públicas que inicia com a consolidação de estruturas gerenciais e organizacionais básicas, desenvolvendo capacidades a partir de ações de extensionismo[2] que reduzam assimetrias de informação e ampliem a capacidade de absorção da aprendizagem. Esse mix também deve ser composto de incentivos à colaboração entre empresas como, por exemplo, por meio de vouchers de inovação. Além disso, deve desenvolver fatores complementares como habilidades relacionadas a ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), bem como conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA), sem deixar para trás a infraestrutura básica que canaliza todas essas potencialidades.


Voltando aos Programas de extensionismo como o Brasil Mais, os autores relatam algumas experiências internacionais positivas que confirmam o retorno de investimentos feitos em ações deste tipo. Nos Estados Unidos, por exemplo, comentam a experiência Manufacturing Extension Partnership (MEP), em que empresas participantes experimentaram entre 3,4% e 16% maior crescimento da produtividade do trabalho entre 1987 e 1992 do que empresas não participantes. Citam ainda pesquisa de Giorcelli (2016) que estudou as políticas análogas no pós-guerra na Itália, concluindo que empresas participantes de programas de produtividade tiveram aumento de vendas e a produtividade permaneceu elevada por mais tempo do que em negócios ​​não contemplados. Há também exemplos de políticas públicas similares realizadas na Colômbia e no Chile.[3]


De modo geral, a conclusão é de que melhores práticas de gestão têm efeitos maiores e mais persistentes do que a simples compra de máquinas, tendo impactos que se perpetuam e aumentam com o tempo. Destaca-se ainda que as novas capacidades impactam também na melhoria das decisões de investimento, tornando a produção mais eficiente. A ideia parece simples, mas a mudança de mentalidade é a grande barreira que precisa ser vencida.


Portanto, não é de se surpreender que programas como o Brasil Mais e o colombiano Fábricas de Productividad (Colômbia) tenham recebido especial atenção de seus respectivos governos. Tanto um quanto o outro apostam no extensionsimo, a partir de técnicas e ferramentas que possam melhorar capacidades gerenciais e difundir uma cultura de aperfeiçoamento contínuo, movendo, gradualmente, as empresas da base da pirâmide em direção à fronteira tecnológica.


Um dos grandes desafios desses programas é modificar a percepção do empresariado de que não há o que se fazer da porta para dentro das fábricas: o senso comum de que só há problemas da porta para fora, geralmente relacionados à ineficiência estatal em prover infraestrutura logística, ambiente de negócios estável e um sistema tributário simplificado, cuja carga seja equivalente às suas contrapartidas. É verdade que todos esses problemas existem, mas o desafio da produtividade na América Latina pode ser classificado como um wicked problem (complexo, multifacetado, envolvendo muitos atores heterogêneos, o que dificulta a identificação de possíveis externalidades positivas e negativas). Portanto, é preciso enfrentá-lo em várias frentes que consigam de algum modo atuar nessas inúmeras dimensões.


Em resumo, não podemos perder o foco na oportunidade que é propiciar também uma transformação na realidade interna das empresas, provocando uma revolução na cultura gerencial e de produção, de modo a alavancarmos a produtividade que anda estagnada nos países latino-americanos desde o final dos anos 70.


Observação: As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não representam necessariamente as visões do Ministério da Economia.



Notas

[1]Catching up é o processo em que economias secundárias desenvolvem capacidades para absorver técnicas, tecnologias e conhecimentos que foram originariamente desenvolvidos nas economias líderes, o que pode resultar em uma gradual convergência de produtividade entre economias periféricas e centrais, reduzindo o gap tecnológico, o que provocaria uma mudança no tabuleiro da economia global. Em geral, o leste asiático é citado como exemplo bem sucedido de catching up. [2]Segundo o Decreto nº 10.246, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2020, consideram-se ações de extensionismo aquelas que possuem o objetivo de promover e difundir conhecimentos, técnicas e práticas produtivas geradoras de externalidades positivas, por meio da prestação de serviços, da indicação de melhorias gerenciais e de técnicas de aperfeiçoamento contínuo da gestão dos processos produtivos. [3]O governo colombiano desenvolveu o Fabricas de Produtividad (para mais informações, acesse https://www.colombiaproductiva.com/fabricasdeproductividad), enquanto no Chile, há ações desenvolvidas pela Corporación de Fomento de la Producción, fomentando a implementação de melhores práticas de produção. Um exemplo foi o Programa de Difusión Tecnológica Regional. Referências

[i]CIRERA, Xavier; & MALONEY, William F. 2017. The Innovation Paradox: Developing-Country Capabilities and the Unrealized Promise of Technological Catch-Up; Washington, DC: Banco Mundial: p. 66 [ii]BLOOM, Nicholas; & VAN REENEN, John. 2007. “Measuring and Explaining Management Practices across Firms and Countries.” Quarterly Journal of Economics 122: p. 1351–1408. ———. 2010. “Why Do Management Practices Differ across Firms and Countries?” Journal of Economic Perspectives: p. 203–24. [iii]CIRERA, Xavier; & MALONEY, William F. 2017. The Innovation Paradox: Developing-Country Capabilities and the Unrealized Promise of Technological Catch-Up; Washington, DC: Banco Mundial : p. 96.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Algunos dijeron que frente a la pandemia del Covid-19 seríamos “todos iguales”, pero en especial al llegar a América Latina, el coronavirus ha demostrado que algunos somos más vulnerables. Sea por la fragilidad en el mercado de trabajo, por pobreza o diferencias en acceso a la salud, la pandemia vino a ampliar las múltiples desigualdades: sociales, de género, regionales, raciales, entre muchas más. En una región tan desigual como América Latina, la situación es muy grave.


Es un desafío escribir sobre un fenómeno en desarrollo como la pandemia. Sobre esta nueva enfermedad se sabe muy poco y sobre sus consecuencias económicas y sociales, no hay completa certeza, ya que este es un proceso muy actual, que depende también de las decisiones de los gobiernos. Sin embargo, las proyecciones económicas y sociales son muy negativas, en especial para América Latina, región muy afectada por el virus.


La Organización Mundial del Comercio proyecta para 2020 una caída del comercio internacional entre el 13% y 32% (Blenkinsop, 2020). Desde ya la Organización Internacional del Trabajo (OIT) prevee que en el segundo trimestre del 2020, el equivalente a 305 millones de empleos “full-time” pueden ser perdidos en todo el mundo, entre los que se incluyen 25 millones en América Latina y el Caribe (OIT, 2020).


Para el 2020 en América Latina, la Cepal (2020a) prevee que el Producto Interno Bruto (PIB) de la región caerá el 5,3%, acompañado, obviamente, de una caída del empleo y de un incremento de la pobreza. Desafortunadamente, la pobreza en la región volvió a crecer desde el 2015 (Cepal, 2020b) (Gráfico 1).


Este es un cambio muy brusco para la región. Entre 2000 y 2013 América Latina tuvo una reducción substancial de la pobreza extrema, periodo en el cual fue escenario de políticas públicas consideradas modelo por las Naciones Unidas para la reducción de la pobreza y el hambre. Desde 2013, la pobreza extrema crece de manera costante en la región. Pero como consecuencia de la pandemia, la pobreza extrema aumentaría entre el 13% y 14,2% en el 2020; y la pobreza aumentaría para algo entre 33,7% y 35,8% en el 2020 (Cepal, 2020b).

Gráfico 1

Fuente: Cepal (2020b)

Con dichas tendencias, la región se aleja cada vez más de la meta definida en la Agenda 2030 de llegar al 2030 con 3% de la población en la pobreza extrema. Según la Cepal (2020b), la pandemia del Covid-19 empeora la situación: con las estimaciones del incremento en la pobreza extrema en el 2020, ni con un crecimiento anual del PIB per cápita del 5% hasta 2030 y una reducción del índice de Gini del 1,5% por año (a partir de 2021), llegaríamos a la meta de 3%. Aunque con esfuerzos herculeos, apenas bajaríamos la pobreza extrema a un 5,7% (Gráfico 2).


Gráfico 2


Sobre la desigualdad, la Cepal (2020a) proyecta para el 2020 un incremento del 3,0% o más, en el índice de Gini, en Argentina, Brasil, Ecuador, México y Uruguay, sin considerar el efecto de las medidas anunciadas para disminuir los efectos del Covid-19. Por lo tanto, nuestra región, ya muy conocida por los altos niveles de desigualdad, emperorará en este sentido.


Es muy claro que en esta situación, las mujeres (en especial las pertenecientes a grupos más vulnerables como negros o pueblos originarios/tradicionales) serán las más afectadas por la pandemia y sus efectos. En Latinoamérica, las mujeres enfrentan adversidades como: i) el incremento del desempleo, en especial por interrupciones en el trabajo informal; ii) la reducción de los servicios públicos (como escuelas o guarderías) y aumento del trabajo doméstico; iii) la intensificación de la violencia de género dentro del hogar, que suele dispararse con el aislamiento social (Reuters, 2020).


Migrantes, personas con discapacidad, población de calle, poblaciones rurales, jóvenes, personas mayores de 60 años, también sufren de manera más fuerte los efectos de la pandemia. Clase, género, origen, color: todas son categorías que se complementan y forman diferentes grupos que se integran a la sociedad de diferentes maneras; y que padecen los impactos de una crisis como la actual de diferentes formas. De cualquier manera, según la Cepal (2020), entre el año de 2019 y el presente año, habrá un desplazamiento del porcentaje de personas pertenecientes a los estratos medios-bajos hacia los estratos extremadamente pobres.


Sin embargo, seguimos en medio de la pandemia y los gobiernos de América Latina todavía pueden actuar para reducir sus impactos sociales. Si la justificativa humanitaria no es suficiente para que sean adoptadas medidas fuertes que reduzcan los impactos sociales de la pandemia, hay justificantes económicas: como las medidas anti-cíclicas diversas, en especial de soporte a los ingresos de los más pobres y vulnerables, que en este momento pueden reducir el impacto económico de la crisis.


Más allá de explicitar las contradicciones y desigualdades de la sociedad latinoamericana, la pandemia muestra la total falencia de nuestros mercados laborales, completamente basados en y dependientes del trabajo informal y de la pobreza de muchos. En este sentido, debemos presionar para la ampliación de manera permanente (no sólo mientras dure la pandemia) de los sistemas de protección social en la región, como propone Bohoslavsky (2020). Dichos sistemas no deben estar conectados a una participación al mercado formal, ya que este solo incorpora a poco menos de la mitad de la población trabajadora de la región. Si hay recursos y voluntad para contener los efectos de la pandemia del Covid-19 ahora, también hay que presionar para contener la pandemia de la pobreza y de la desigualdad que ha caracterizado a nuestra región desde siempre.

Referencias:


Bohoslavsky, Juan Pablo (2020) “An immediate human rights response to counter the COVID-19 and the global recession ahead is an urgent priority,” says UN expert Recuperado de: https://www.ohchr.org/en/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=25732&LangID=e


Cepal (2020a) Informe Especial COVID-19 No 3: El desafío social en tiempos del COVID-19 Recuperado de: https://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/45527/5/S2000325_es.pdf


Cepal (2020b) La Agenda 2030 para el Desarrollo Sostenible en el nuevo contexto mundial y regional: Escenarios y proyecciones en la presente crisis. Recuperado de: https://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/45336/6/S2000208_es.pdf


Reuters (2020) "Outra pandemia": violência doméstica aumenta na América Latina em meio a isolamento Recuperado de: https://www.uol.com.br/universa/noticias/reuters/2020/04/27/outra-pandemia-violencia-domestica-aumenta-na-america-latina-em-meio-a-isolamento.htm


Blenkinsop, Philip (2020) OMC prevê queda no comércio global em 2020 e recuperação para 2021 Recuperado de: https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2020/04/08/omc-preve-queda-no-comercio-global-em-2020-e-recuperacao-para-2021.htm


OIT (2020) OIT: La pérdida de empleo se dispara, y casi la mitad de la población activa mundial podría llegar a perder los medios de vida Recuperado de: https://www.ilo.org/global/about-the-ilo/newsroom/news/WCMS_743056/lang--es/index.htm

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Actualizado: 15 jun 2020

Fuente: Dos albañiles buscan trabajo en la catedral de Ciudad de México. Imagen descargada de WikimediaCommons


A estas alturas ya nadie duda que las medidas de confinamiento para contener la pandemia se verán reflejadas en al menos una de las dos crisis económicas más severas en la historia del capitalismo. Así lo pronostican todos los organismos internacionales y las agencias especializadas.


En el caso particular de México, la situación es considerablemente peor que el promedio mundial, debido a que justo estábamos en la parte recesiva del ciclo económico, por lo que es muy probable que la de este año sea por mucho la contracción económica más fuerte desde que se tiene registro.


Por otro lado, si bien la contracción será muy severa, hay también mucho optimismo sobre la velocidad con la que ocurra la recuperación, lo que es muy importante porque implica también la velocidad a la que la gente que quedó desempleada volverá a incorporarse a un empleo, y, en general, la velocidad a la que la población percibirá de nuevo un ingreso propio y constante.


En dos entrevistas recientes[1], el Secretario de Hacienda aseguró que “hoy todo el mundo está esperando una recuperación de `V´”, es decir, una situación en que la economía regresa rápidamente a la trayectoria que tenía antes. Sin embargo, el propio Secretario reconoce que esto va a depender de la forma en que se controle la epidemia en el país, debido a que la apertura económica estará condicionada al semáforo que semanalmente va a publicar la Secretaría de Salud a partir del primero de junio para cada entidad federativa. En este contexto, vale la pena preguntarse cuáles son los posibles escenarios para la evolución de ese semáforo y, con ello, de la recuperación económica. Eso se intenta mostrar con dos ejemplos meramente ilustrativos en los párrafos que siguen, pero es necesario precisar que para ello se partió de tres premisas:


1. El fondo de la recesión será en mayo. Al momento de escribir esto, el Instituto Nacional de Geografía y Estadística (INEGI) acaba de publicar el Indicador Global de la Actividad Económica (IGAE)[2] correspondiente al mes de marzo, por lo que aún no tenemos información oficial sobre abril y mayo. Sin embargo, podemos suponer que mayo será el mes de la mayor caída en la actividad económica a partir de tres hechos. El primero es, obviamente, que la “jornada nacional de sana distancia” (la cuarentena) ocurrió durante abril y mayo. El segundo es que el consumo de electricidad, que guarda una correlación casi perfecta con el IGAE, cayó 9% en abril con respecto al mismo mes del año anterior, mientras que la caída para las primeras tres semanas de mayo fue del 13%. El tercero es que el Presidente, Andrés Manuel López Obrador, admitió recientemente[3] que su gobierno espera registrar la pérdida de 400 mil empleos en mayo, que se sumarían a los 550 mil de abril, por lo que la tasa de desempleo sería 4.3% en abril y 5% en mayo. La información que tenemos hasta el momento sugiere que el reinicio de actividades empezará en junio, por lo que, en principio, podemos pensar que el desempleo no incrementará mucho más.


2. La actividad económica en mayo será alrededor del 80% de la que se tenía en los meses previos. De nuevo, todavía no conocemos las cifras oficiales, pero este supuesto surge del hecho de que la movilidad se redujo entre el 60% y el 55%[4] con respecto a la que se tenía antes del confinamiento, de acuerdo a la información que semanalmente se da en las conferencias de prensa vespertinas.


La caída en la actividad económica debe ser considerablemente menor porque, aunque haya menos movilidad, una parte de la actividad se sigue realizando desde casa. Este supuesto también es consistente con la mayoría de las estimaciones, que sugieren una contracción de alrededor del 15% del PIB en el segundo trimestre del año[5].


3. La trayectoria “natural” de la economía mexicana es una de estancamiento. Es bien sabido que México no se caracteriza por su dinamismo económico en las últimas décadas, pero algo adicional a ello es que la economía ha estado francamente estancada desde hace dos años, por lo que el IGAE se ve prácticamente como una línea horizontal en los últimos 24 meses. De ese modo, no hay razón para esperar que después de la recesión entremos en un periodo de crecimiento acelerado.


A partir de estas aclaraciones, podemos plantear dos escenarios ilustrativos.


Escenario A: No hay nuevos brotes del virus en las ciudades grandes.

En este escenario, la ocupación de camas y respiradores mecánicos se irá reduciendo gradualmente, lo que implicará que el semáforo pase de rojo a naranja, de naranja a amarillo y de amarillo a verde. Las autoridades permitirán entonces el retorno gradual y sin altibajos de las actividades económicas, de modo que la recuperación sería ciertamente en forma de “V”, como espera el Secretario de Hacienda. En la figura 1 se muestra que un escenario como éste se vería como una recesión muy profunda pero corta cuando se compara con las crisis de 1994-1995 y 2008-2009.


Escenario B: Apertura con nuevos brotes.

Sin embargo, si hay un solo retroceso en la evolución del semáforo para alguna ciudad grande, las autoridades locales impedirán la realización de varias actividades. Si esto ocurre simultáneamente en varias ciudades, a nivel nacional veríamos una caída general del IGAE, por lo que la crisis pasaría de tener una forma de “V” a una de “W”. De nuevo, en la figura siguiente se muestra cómo se vería este escenario comparado con las crisis anteriores; y resulta francamente impactante que, asumiendo un nuevo confinamiento en tan solo un mes, la crisis actual no sólo sería la más profunda, sino que además podría tener una duración que se acerca mucho más a la de 1995. En el escenario A, el tiempo transcurrido desde el momento en que empieza la caída del IGAE hasta el momento en que regresa al nivel previo a esa caída es de 9 meses, mientras que en el escenario B ese tiempo es de 14 meses. Como punto de comparación, considérese que en la crisis de 1995 ese periodo fue de 19 meses.


Figura 1. Dos escenarios para la recuperación económica

Nota: elaboración propia con datos de INEGI.


Aunque en un primer momento estos dos ejercicios ilustrativos podrían parecer especulaciones triviales, comprender cómo será la recuperación es importante porque existe una estrecha relación entre los indicadores de la actividad económica a nivel agregado con otros sobre la calidad de vida de la población. De hecho, si observamos la relación que tiene el PIB con el nivel de empleo podremos apreciar que, si el primero cae, el segundo lo hace con creces. Más aún, el empleo puede tardar mucho más en recuperarse que el producto, como de hecho ocurrió en la crisis del 2008, cuando el nivel de empleo previo a la crisis tardó ocho años en recuperarse, mientras que el PIB tardo sólo un año y medio. Visto de esa manera, acelerar la velocidad de la recuperación económica es de sobrada relevancia.


Figura 2. Relación entre PIB y empleo.

Nota: elaboración propia con datos de INEGI.

Nota: la tasa de ocupación se calcula como el porcentaje de la población ocupada con respecto a la población económicamente activa (PEA).


La mayoría de los economistas están de acuerdo en que acelerar la recuperación una vez que termine la cuarentena dependerá, principalmente, de la política fiscal en varias formas. Desde luego que importa mucho cuánto se gasta (déficit y deuda), pero también importa cuánto se cobra de impuestos y si éstos se cobran sobre ganancias, rentas, salarios, consumo o riqueza (reforma fiscal). También importan la velocidad con la que se aplica el gasto y la capacidad del propio gasto de verse reflejado en la demanda agregada. Mientras que algunas inversiones tienen un impacto inmediato, otras (como los proyectos insignia del gobierno) tienen un impacto más gradual, debido a que mucho del gasto inicial se dedica a sus estudios en lugar de su ejecución, además de que ésta suele ser muy lenta[6].


Por todo esto, si el gobierno quiere acelerar la recuperación económica y del empleo, será muy necesario que se cuestione sus prioridades, ya que deberá cambiar sustancialmente las decisiones que hasta ahora se han tomado.


Si algo nos deja claro esta crisis, es la urgencia de hacer a nuestras economías más resilientes, con reglas fiscales y políticas sociales que de forma automática generen un gasto público contra cíclico, con o sin el permiso de las autoridades.


En este aspecto resalta la propuesta que ya han hecho varias personalidades sobre un seguro de desempleo accesible para toda la población económicamente activa, y un fondo de estabilización de un tamaño adecuado para un país como el nuestro. No sólo se podría pensar en un fondo de estabilización nacional, sino ir más allá y establecer fondos cooperativos con otros países de un nivel de desarrollo similar, de modo que los excedentes de unos puedan financiar las urgencias de otros sin inmiscuirse en los asuntos internos de cada nación. Un fondo así no serviría para situaciones como las actuales, en las que todos los países requieren financiarse, pero dado que las crisis suelen afectar mucho más a algunos países que a otros, este tipo de instrumento podría hacer más resiliente la economía mundial.


Esta crisis también nos recuerda la urgencia de atender otros problemas que cargamos de antaño, como la inclusión financiera de la población más vulnerable, que podría hacer más eficaz la política monetaria, facilitar el financiamiento de las familias en periodos difíciles como ahora, y facilitar también la implementación de transferencias extraordinarias a los hogares por emergencias inesperadas. Para esto puede usarse mucho más la banca de desarrollo, ocupando nichos hasta ahora desatendidos por el mercado.


Notas:





[4]Como se puede ver en los informes de movilidad de Google: https://www.google.com/covid19/mobility/



[6]Por dar un ejemplo, aún no se termina el tren entre CDMX y Toluca. Esto, además de ser un gasto gradual, hace que los beneficios de las inversiones tarden también más en llegar a la población.



Referencias




[C]Entrevistas al Secretario de Hacienda: https://youtu.be/BfSYefJeh50 y https://youtu.be/2nRCVcY2dck


[D]Urrutia, A., 2020, 25 de mayo. AMLO: En abril y mayo, un millón de empleos perdidos. La Jornada



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